
A antropóloga peruana Marisol de la Cadena chega ao Brasil na próxima semana para uma série de encontros no Rio de Janeiro, marcando o lançamento do seu livro Seres-terra, recém-publicado pela Bazar do Tempo. A agenda inclui debates acadêmicos, atividades culturais e o lançamento oficial da tradução da obra, que contou com a participação de pesquisadores do Terranias.
A primeira aparição pública acontece na quinta 18 de julho, no Museu do Amanhã, durante o evento Encontros para o Amanhã, onde Marisol participa de uma conversa com Fernanda Kaingang, diretora do Museu Nacional dos Povos Indígenas. A mediação será da pesquisadora Alyne Costa, professora do Departamento de Filosofia da PUC-Rio e coordenadora da coleção Desnaturadas, da qual o novo livro faz parte.
No dia 19 de julho (sexta-feira), Marisol estará no Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ para um fórum sobre o livro, coletando leituras e impressões da obra Seres-terra. O evento contará com intervenções de Eduardo Viveiros de Castro (UFRJ) , Lucas Maciel (Memorial University of Newfoundland), da revisora técnica da tradução Anelise De Carli (APPH) e dos pesquisadores Cecília Cavalieri (PUC-Rio), Luiza Proença (PUC-Rio) e João Victor Consoli (PUC-Rio).
Já no sábado, 20 de julho, o livro será lançado oficialmente na Janela Livraria, em um bate-papo com Alyne Costa.
Os eventos serão gratuitos, presenciais, sem necessidade de inscrição prévia (à exceção do evento no Museu do Amanhã). Todos acontecerão em português e espanhol, sem tradução simultânea.

Seres-terra: cosmopolíticas em mundos andinos coloca no centro da narrativa a colaboração e longa convivência entre Marisol de la Cadena e Mariano e Nazario Turpo, pai e filho, xamãs e lideranças políticas do povo Quíchua, nos arredores de Cusco, no Peru. A obra apresenta uma etnografia profundamente implicada, inspirada por pensadoras feministas da antropologia e da filosofia da ciência, e se tornou uma referência ao propor a tradução como encontro entre mundos que, embora conectados, permanecem ontologicamente distintos. Em vez de reduzir os modos de existência andinos a categorias ocidentais, Marisol nos convida a levar a sério a agência de seres que excedem as classificações usuais de “humanos” e “não humanos” — como Ausangate, uma montanha que é também um poderoso integrante da comunidade cosmopolítica local.
Aguardado há bastante tempo, o livro ganhou no Brasil a tradução de Caroline Nogueira e Fernando Silva e Silva, com revisão técnica de Anelise De Carli.

Realização: Departamento e Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUC-Rio, Núcleo Terranias, projeto A Terra em nós, Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH), Bazar do Tempo e Instituto Serrapilheira
Apoio: Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ


