
Estamos desoladxs com a chacina perpetrada no Rio de Janeiro no último 28 de outubro de 2025. A Serra da Misericórdia é o lugar onde mais corpos foram encontrados.
A Serra da Misericórdia é um dos últimos remanescentes significativos de Mata Atlântica na região metropolitana do Rio. A sobreposição e a violência dessas destruições não podem passar despercebidas. Tampouco podemos negligenciar a potência política que emerge da articulação entre as lutas sociais e ambientais em defesa de uma vida mais justa.
Em 2022, Ana Santos, cofundadora do Centro de Integração Multicultural da Serra da Misericórdia (CEM), no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, conversou com o Terranias, no contexto do programa “Sustentabilidade e território” do MAM-RJ. O CEM atua com agroecologia urbana, soberania alimentar e educação ambiental, entendendo o cuidado com a terra como também um cultivo das relações — entre pessoas, saberes e territórios. Há pelo menos quinze anos, Ana e o CEM dedica-se a resgatar conhecimentos sobre ervas medicinais e a fortalecer valores comunitários, com especial atenção às mulheres e às crianças.
Mais recentemente, em depoimento para o Ciclo Selvagem, Ana relatou:
“A gente precisava acreditar que o verde continuava enquanto valor nas nossas vidas. Chegar na Serra foi muito difícil, porque era um verde que as pessoas não entendiam mais que era verde(…) Esse quilombo-favela da Serra da Misericórdia muita gente vai enxergar apenas pela violência, mas eu consigo enxergar o cuidado e o amparo, que faz a gente continuar sonhando”.
Manifestamos nossa solidariedade aos moradores do Complexo da Penha, pois sem esse sonhar a vida se torna mais difícil para todos nós.
Terranias – Núcleo Transdisciplinar de Pensamento Ecológico, 3 de Novembro de 2025.


